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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

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29
Jun11

 

 

A  AMIZADE

 

 

Desafiámos, no Facebook, os Amigos, para escolherem um tema que gostassem tratado com duas palavritas nossas.

Não demorou o tempo de um suspiro e logo chegou a primeira «candidatura».

Um dos temas que esperávamos foi o primeiro a chegar – A AMIZADE.

E cá vamos nós, com todo o gosto tentar “fazer um Quatro”, em A, com equilíbrio e alguma graça (merecimento), se possível.

A Teoria dos Sentimentos é, provavelmente, a mais extensa, porque a mais antiga, a mais fecunda e a mais permanente na natureza e na condição humanas.

E a AMIZADE aquele que mais atenção tem merecido.

Foi no canto da AMIZADE que mais cedo o Homem consagrou a virtude.

Se já nos códigos de Ur-Nammu e de Hamurabi predominavam os castigos, era, assim, para que prevalece, por contraponto, o respeito e a estima pelo vizinho.

Estabelecia-se o bom entendimento.

E por consequência aumentavam-se as oportunidades de se descobrir ora uns, ora outros, e cada vez mais sinais do belo e virtuoso.

O Homem, mesmo na Idade mais escura da sua História, sempre procurou um significado da Vida.

Na sua Evolução, o campo de Consciência foi-se alargando.

Deslumbrou-se. Espantou-se. Reflectiu. Ordenou pensamentos e conhecimentos.

Construiu, com solidez, o conceito de Família.

Estabeleceu harmonia nas relações de vizinhança.

Organizou-se em Sociedade.

Do Clã para a Tribo, a Cidade, a Nação.

No presente, pratica a convivência nas virtuais «redes sociais». Já virtuosas?!

E deu-se conta que os caminhos mais seguros e acertados eram traçados com o giz da AMIZADE.

Nesta época, ainda, continuamos a ser ajudados (ensinados) por Homens preocupados em darem maior dignidade à natureza e à condição humana.

Por isso, a AMIZADE é o sentimento mais permanente no canto e na voz de poetas e escritores; nos enigmas, ora decifrados, ora não, dos sábios; nas fórmulas, simples ou complexas, dos cientistas; e quer, até, no olhar dos humildes, e mesmo no íntimo dos ricos soberbos!

Da Antiguidade Clássica podemos respigar exemplos da AMIZADE como expressão de excelência da virtude: Aquiles e Pátroclo,  Alexandre e Hefestión.

Platão e Aristóteles com ela se preocuparam: p.ex., Fedro e Ética a Nicómaco.

Cícero e Séneca explicam-na e enaltecem-na, no seu Catão Maior e nas Cartas a Lucílio.

Podemos lembrar-nos, com algum a propósito, das Cantigas do rei Lavrador, ou da sua expressão em Sancho Pança.

E temos presente a referência interessante e profícua de Montaigne, nos seus Ensaios.

Mais perto de nós, Jacques DERRIDA, nos textos de despedida dos seus amigos célebres, como Althusser, Lévinas, Deleuze, Blanchot ou Barthes, deixa-nos ver como no cadinho do nosso íntimo se combinam tantos e quantos preceitos dos quais brotam, em grau sublime, a Amizade. Neles revemos o citado Michel Eyquem quando nos diz: “Na amizade…..o calor é…temperado; …constante e tranquilo, todo doçura e sem asperezas, que nada tem de violento ou de possante”.

E no seu “Políticas da Amizade”, Derrida, enquanto grita “Ó meus amigos democratas…”, lembra-nos que “ a Amizade, o ser-amigo …é AMAR antes de ser amado”!

Lacan e Lévinas alertam-nos para a leviandade apressada com que confundimos a pálida sombra da Amizade configurada em “uniões e familiaridades travadas graças a algum interesse, ou mercê do acaso, por meio das quais as nossas almas se relacionam entre si”.

Mais do que um «relacionamento», a Amizade é um «enlaçamento» e uma «confusão» de almas.

Da Amizade com La Boetie, Montaigne dizia-a: -“porque era ele e porque era eu”.

E dos nossos contemporâneos e coetâneos vem a insistência de quanto do nosso EU reside no OUTRO.

Blanchot, contrariando a conceito tradicional de que a Amizade tem por fundamento a afinidade, avivou um pensamento clássico (porque o verdadeiro amigo vê o outro como a uma imagem de si mesmo - Cícero) ao afirmar que é na distância (na ausência e no afastamento) que ela se baseia.

Somos  intervencionista.  Por isso, damos por acertados os dois pareceres.

 Velho como Menandro, continuamos com a esperança de encontrar “a sombra de um Amigo”.

«Louvemos as palavras …”dos citados” e as acções de Catão».

As nossas fazemo-las com que se confundam umas com as outras.

E que sejam do agrado de todos.

Especialmente do da D. CARMINHA VIDEIRA.

 

 

 

Luís Fernandes

  

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